Casal dá carro, moto e R$ 12,5 mil por SUV, mas perde veículo por dívida do antigo dono
07/10/2026
(Foto: Reprodução) Vítima de suposto golpe pede ajuda para encontrar veículos desaparecidos em MS
Um casal de Campo Grande afirma ter sofrido um suposto golpe após entregar um carro, uma moto e R$ 12,5 mil em dinheiro na troca por um Jeep Compass. Cerca de um mês após o negócio, o veículo foi apreendido por decisão judicial. O intermediador da venda, que pediu para não ter a identidade divulgada, contesta a versão e disse que não houve irregularidade. Segundo ele, os compradores sabiam das pendências financeiras do veículo.
Isabela Seles Tiburcio Machado, de 30 anos, registrou boletim de ocorrência e disse à polícia que não sabia que o veículo tinha ordem de busca e apreensão. Após o carro ser levado, o homem que intermediou o negócio se recusou a devolver os bens do casal. Veja a nota de Isabela na íntegra no final da reportagem.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, Isabela pediu ajuda para localizar os bens. "Nós estamos com dois veículos nossos desaparecidos. Nós somos vítimas de um estelionato, de um conhecido", afirmou.
Por outro lado, o homem que intermediou o negócio procurou a polícia nesta quinta-feira (8) para contestar a versão das vítimas. O vendedor, que pediu ao g1 para não ser identificado, registrou um boletim de ocorrência por calúnia, denunciação caluniosa e difamação na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro.
Ele afirma ter apresentado conversas de aplicativo para alegar que o casal sabia das pendências financeiras do Jeep Compass.
A Polícia Civil investiga o caso inicialmente como estelionato para apurar o destino dos veículos e as circunstâncias da troca. Agora, com o novo registro, os policiais também apuram a suspeita de denunciação caluniosa. O g1 questionou a defesa do casal após o intermediador registrar o boletim. Até a última atualização, nenhum retorno havia sido enviado.
A negociação e a apreensão
Mulher troca veículos em acordo e fica sem carro
Arquivo pessoal
Conforme o registro policial feito pelo casal, o negócio envolveu uma motocicleta Honda Biz (em nome do marido de Isabela), um Citroën C3 (no nome dela) e R$ 12,5 mil em dinheiro. Em troca, o casal levou o Jeep Compass.
Cerca de um mês depois, um oficial de Justiça localizou o SUV e realizou a apreensão do veículo por meio de um mandado judicial. Após perder o carro, Isabela consultou um advogado e descobriu que nenhuma parcela do financiamento do Jeep estava paga.
A mulher relatou que o homem havia afirmado que as parcelas estavam em dia, restando cerca de R$ 40 mil para a quitação do veículo, com prestações mensais de R$ 3,8 mil.
Ao tentar reaver os seus bens, Isabela entrou em contato com o intermediador, que se recusou a devolver a moto e o carro. Conforme o boletim de ocorrência, o vendedor alegou que o recibo do Jeep estava no nome de outra pessoa, embora dissesse conhecer a proprietária. Ele tentou fazer com que Isabela assinasse um contrato elaborado por sua defesa.
Pelo acordo proposto e relatado por Isabela, ela abriria mão do dinheiro e da Honda Biz, recebendo de volta apenas o Citroën C3. Ela recusou a proposta e entregou à polícia contratos, comprovantes de pagamento e mensagens trocadas com o vendedor.
O que diz o vendedor?
No boletim de ocorrência registrado contra o casal, o intermediador afirmou que foi procurado em agosto para participar da venda do Jeep Compass e que os compradores sabiam das pendências financeiras do automóvel.
Segundo a versão dele, os compradores se comprometeram a regularizar as parcelas atrasadas ou transferir a dívida. Como o combinado não teria sido cumprido, o banco retomou o SUV. O vendedor contesta a acusação de estelionato e afirma ter mensagens e documentos que comprovam sua versão dos fatos.
O registro dos boletins de ocorrência não comprova as acusações de calúnia, difamação ou estelionato feitas pelas partes. Ambas as versões continuam sob investigação da Polícia Civil.
O vendedor relata ainda que tem sofrido perseguições e constrangimentos nas redes sociais após a repercussão do caso. Ele também aponta prejuízos práticos, alegando que o bloqueio da documentação dos bens entregues pelo casal.
O que dizem os compradores?
Os advogados Lucimar Goedert dos Santos e Cleber Matias dos Santos, que atuam na defesa do casal, reiteram que os clientes não sabiam das dívidas do veículo. Confira a seguir:
A alegação de que o comprador tinha conhecimento prévio do vício que comprometeria o negócio não encontra respaldo na lógica dos fatos e deverá ser devidamente esclarecida no curso do processo judicial. Não parece razoável presumir que alguém, agindo conscientemente, disponibilizaria dois bens livres e desembaraçados, além de determinada quantia em dinheiro, para adquirir outro bem sabendo que este estaria na iminência de ser recolhido em razão de inadimplência. As próprias circunstâncias da negociação impõem o devido aprofundamento da apuração, não sendo admissível que alegações dessa natureza sejam tratadas como verdades sem a necessária comprovação. As vítimas já adotaram todas as medidas judiciais cabíveis e confiam que a regular instrução processual permitirá esclarecer os fatos, demonstrar as circunstâncias em que a negociação ocorreu e assegurar a devida apreciação de seus direitos pelo Poder Judiciário. Reitera-se a confiança na Justiça e na apuração dos fatos, com a expectativa de que as responsabilidades sejam devidamente estabelecidas à luz das provas produzidas no processo.
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